O Papel Crucial da Família no Tratamento do TDAH e do Autismo: Uma Perspectiva Psiquiátrica em Belo Horizonte
Prezados leitores, é com a seriedade que a psiquiatria exige e um toque de pragmatismo que abordo um tema de suma importância: o papel da família no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e dos Transtornos do Espectro Autista (TEA). Na minha prática diária, aqui em Belo Horizonte, na Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, na região estratégica da Santa Efigênia, observo que a família não é apenas um coadjuvante; ela é, na verdade, um pilar central, um agente ativo e insubstituível em todo o processo terapêutico. Sem essa rede de apoio, as intervenções mais sofisticadas podem encontrar barreiras significativas.
O TDAH e o Autismo são condições neurodesenvolvimentais complexas, com manifestações variadas e impactos que se estendem muito além do indivíduo diagnosticado. Eles remodelam dinâmicas familiares, exigem adaptação e, invariavelmente, convidam ao questionamento, à frustração e, por vezes, a um tipo de resiliência que só se encontra quando confrontados com o inusitado e o desafiador. Se você já se sentiu sobrecarregado tentando entender uma nota da escola, uma crise inexplicável ou, talvez, esqueceu o que ia fazer ao chegar no final deste parágrafo, este artigo é, definitivamente, para você. Vamos mergulhar.
TDAH e Autismo: Um Breve Contexto e Desafios Diagnósticos
Para compreendermos o papel da família, é imperativo que tenhamos clareza sobre o que são o TDAH e o TEA. São mais do que “problemas de comportamento” ou “esquisitices”. São condições com bases neurobiológicas sólidas, que afetam a forma como o cérebro processa informações, regula emoções e interage com o mundo.
A Complexidade do Diagnóstico: DSM-5-TR em Foco
O diagnóstico é um processo clínico, baseado em critérios bem definidos. Utilizamos como principal referência o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR), que oferece uma estrutura rigorosa para a avaliação.
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
O TDAH é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou desenvolvimento. Os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade e em pelo menos dois ambientes (escola/trabalho e casa, por exemplo). Não é uma questão de “má vontade”, mas de uma dificuldade real na regulação da atenção e do controle inibitório.
- Sintomas de Desatenção (pelo menos seis por no mínimo 6 meses):
- Frequentemente não presta atenção a detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou em outras atividades.
- Frequentemente tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
- Frequentemente parece não escutar quando lhe dirigem a palavra diretamente.
- Frequentemente não segue instruções e não termina deveres escolares, tarefas ou obrigações no local de trabalho (não devido a comportamento de oposição ou falha em compreender instruções).
- Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
- Frequentemente evita, não gosta ou reluta em se engajar em tarefas que exigem esforço mental prolongado (como tarefas escolares ou deveres de casa).
- Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por exemplo, brinquedos, trabalhos escolares, lápis, livros ou ferramentas).
- Frequentemente é facilmente distraído por estímulos externos.
- Frequentemente é esquecido em atividades diárias.
- Sintomas de Hiperatividade e Impulsividade (pelo menos seis por no mínimo 6 meses):
- Frequentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira.
- Frequentemente levanta-se da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado.
- Frequentemente corre ou escala em situações em que é inapropriado (em adultos, pode ser sensação subjetiva de inquietação).
- Frequentemente é incapaz de brincar ou se engajar em atividades de lazer silenciosamente.
- Frequentemente está “a todo vapor” ou age como se estivesse “ligado a um motor”.
- Frequentemente fala demais.
- Frequentemente emite respostas antes que as perguntas tenham sido completamente formuladas (interrompe).
- Frequentemente tem dificuldade para esperar sua vez.
- Frequentemente interrompe ou se intromete em conversas ou brincadeiras dos outros.
Em Belo Horizonte, com seu ritmo por vezes frenético e suas múltiplas distrações, os desafios de atenção e impulsividade podem ser exacerbados, tornando o diagnóstico ainda mais relevante para a adaptação em ambientes acadêmicos e profissionais.
Transtornos do Espectro Autista (TEA)
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e interação social em múltiplos contextos, juntamente com padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades.
- Déficits Persistentes na Comunicação Social e Interação Social (em múltiplos contextos, atualmente ou por história):
- Déficits na reciprocidade socioemocional (falha em iniciar ou responder a interações sociais, dificuldade em compartilhar interesses ou afetos).
- Déficits em comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social (contato visual atípico, ausência de gestos, dificuldade em entender expressões faciais).
- Déficits no desenvolvimento, manutenção e compreensão de relacionamentos (dificuldade em ajustar comportamento a diversos contextos sociais, em compartilhar brincadeiras imaginativas ou fazer amigos).
- Padrões Restritos e Repetitivos de Comportamento, Interesses ou Atividades (pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história):
- Movimentos motores, uso de objetos ou fala repetitivos e estereotipados (estereotipias, ecolalia, frases idiomáticas repetitivas).
- Insistência na mesmice, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (sofrimento extremo com pequenas mudanças, rituais de saudação, necessidade de seguir o mesmo caminho).
- Interesses altamente restritos e fixos que são anormais em intensidade ou foco (preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos).
- Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesses incomuns em aspectos sensoriais do ambiente (indiferença a dor/temperatura, reação adversa a sons/texturas, fascinação por luzes/movimento).
A variabilidade dentro do espectro é imensa, o que significa que duas pessoas com TEA podem apresentar quadros muito distintos. Em uma cidade como Belo Horizonte, com sua diversidade cultural e social, a integração de indivíduos com TEA exige um olhar atento e especializado para suas particularidades.
Histórico e Evolução do Entendimento
O TDAH, em suas manifestações, já era descrito no século XIX, embora com outras nomenclaturas, como “doença da moral” ou “déficit de controle moral”. A compreensão moderna, focada em aspectos neurológicos, começou a ganhar força no século XX, com pesquisadores como George Still em 1902. O TEA, por sua vez, foi inicialmente descrito de forma independente por Leo Kanner e Hans Asperger na década de 1940. Kanner focou em crianças com “autismo infantil precoce”, caracterizado por isolamento social extremo e resistência à mudança. Asperger descreveu um grupo de crianças com habilidades linguísticas e cognitivas relativamente preservadas, mas com déficits sociais e interesses restritos, o que se tornaria a “Síndrome de Asperger” – hoje, subsumida sob o guarda-chuva do TEA no DSM-5-TR. A evolução do conhecimento, portanto, nos trouxe de meras descrições a um modelo neurobiológico que nos permite intervenções mais eficazes e humanizadas.
O Impacto do TDAH e do Autismo no Cotidiano: Além da Clínica
Diagnósticos, por mais precisos que sejam, são apenas o ponto de partida. O verdadeiro desafio reside em como essas condições se manifestam e impactam o dia a dia, tanto do indivíduo quanto de sua família.
No Indivíduo: Da Infância à Vida Adulta
Para a criança com TDAH, o impacto é frequentemente percebido na escola: dificuldades de aprendizado, problemas de comportamento em sala, interrupções, e uma constante luta para se adequar a expectativas de quietude e foco. Na adolescência, as dificuldades podem se traduzir em menor desempenho acadêmico, problemas de relacionamento, maior risco de acidentes e uso de substâncias. No adulto, o TDAH pode afetar a carreira, as finanças, os relacionamentos conjugais e a autoestima, com sintomas de desatenção e desorganização persistindo e se manifestando de formas mais sutis.
No caso do TEA, desde a primeira infância, desafios na comunicação e interação social podem dificultar o desenvolvimento de amizades, a participação em brincadeiras coletivas e a compreensão de regras sociais implícitas. Interesses restritos podem levar a uma exclusão social. Na vida adulta, o espectro é vasto: desde indivíduos que alcançam grande independência e sucesso em áreas específicas, até aqueles que necessitam de apoio substancial em todas as áreas da vida. Em uma cidade dinâmica como Belo Horizonte, com sua efervescência cultural e social, as nuances das interações e a velocidade das mudanças podem ser um desafio extra para quem tem TDAH ou TEA, exigindo estratégias de adaptação mais robustas.
Na Família: Uma Rede de Suporte e Desafios
É ingenuidade pensar que o diagnóstico afeta apenas o paciente. A família, como sistema interconectado, sente os impactos profundamente. Pais podem sentir culpa, frustração, exaustão e até mesmo luto pela “criança que esperavam”. Irmãos podem se sentir preteridos, confusos ou ter dificuldades em compreender as necessidades especiais do irmão. A rotina é frequentemente remodelada em função de terapias, consultas médicas e adaptações em casa. O estresse crônico pode levar a problemas conjugais, financeiros e de saúde mental em outros membros da família. O suporte emocional e a psicoeducação tornam-se essenciais não apenas para o indivíduo diagnosticado, mas para todo o seu núcleo familiar. A busca por auxílio especializado em clínicas e hospitais da região de Santa Efigênia é um passo fundamental para aliviar essa carga.
O Núcleo Familiar como Pilar do Tratamento
O tratamento eficaz para TDAH e TEA é multimodal e, invariavelmente, envolve a família em todas as suas etapas. Afirmar que a família é um pilar é subestimar a sua importância; ela é, de fato, a fundação sobre a qual todo o edifício terapêutico é construído. Sem uma base sólida, qualquer estrutura, por mais bem-intencionada que seja, corre o risco de desmoronar.
A Família como Agente de Detecção Precoce
Quem melhor para notar os primeiros sinais de que algo não está no “padrão”? Pais, irmãos e cuidadores estão na linha de frente, observando peculiaridades no desenvolvimento, atrasos na fala, dificuldades persistentes de atenção ou comportamentos incomuns. É a observação atenta da família que muitas vezes dispara o alerta para a necessidade de buscar uma avaliação profissional. Em Belo Horizonte, onde a saúde da criança e do adolescente tem sido prioridade, a consciência familiar é o primeiro filtro.
- Observação de Marcos do Desenvolvimento: Notar atrasos na fala, dificuldades em interagir socialmente, padrões de brincadeira repetitivos (TEA).
- Percepção de Dificuldades Comportamentais: Hiperatividade excessiva, impulsividade perigosa, desatenção persistente que impacta a escola ou interações (TDAH).
- Busca Ativa por Ajuda: O ato de procurar um pediatra, psicólogo ou psiquiatra infantil ao notar algo incomum já é um papel ativo e crucial da família.
A Família no Processo Diagnóstico
O diagnóstico de TDAH ou TEA não é feito por um único teste. É um processo complexo que envolve a coleta de um histórico detalhado, observações clínicas e, frequentemente, o uso de escalas e questionários. As informações fornecidas pela família são absolutamente essenciais.
- Relatos Detalhados: A família pode descrever o histórico de desenvolvimento da criança, padrões de comportamento ao longo do tempo, situações específicas de dificuldade e sucessos.
- Preenchimento de Questionários: Escalas como o SNAP-IV, o Conner’s, o ADI-R (Autism Diagnostic Interview – Revised) e o ADOS-2 (Autism Diagnostic Observation Schedule – 2) dependem, em grande parte, das informações e observações familiares.
- Contexto Familiar e Social: A família oferece o contexto em que o indivíduo vive, permitindo ao profissional entender a dinâmica familiar e como ela pode influenciar ou ser influenciada pelos sintomas.
A Família como Co-Terapeuta e Facilitadora
Uma vez estabelecido o diagnóstico, o papel da família se intensifica. Ela se torna um agente ativo na implementação de estratégias terapêuticas e na criação de um ambiente que favoreça o desenvolvimento e o bem-estar do indivíduo.
Educação e Conscientização Familiar
A psicoeducação é a espinha dorsal de qualquer plano de tratamento. Não basta saber o nome do diagnóstico; é preciso entender o que ele significa na prática.
- Entendendo o TDAH e o TEA: Compreender a base neurobiológica, os sintomas, as forças e os desafios específicos de cada condição ajuda a família a mudar a perspectiva de “culpa” ou “má criação” para uma abordagem baseada na compreensão e na estratégia. Isso é fundamental para evitar a “patologização” indevida de comportamentos normais.
- Desmistificando Preconceitos: Muitas famílias enfrentam estigma e desinformação de amigos, outros parentes e até mesmo de profissionais desatualizados. A família educada torna-se um embaixador da verdade, combatendo mitos e promovendo a aceitação.
- Identificando Sinais de Alerta: Saber quais comportamentos ou situações podem indicar necessidade de ajustes na terapia ou suporte adicional é um conhecimento valioso que a educação oferece.
Estratégias de Manejo Comportamental
A família é o ambiente onde muitas das intervenções comportamentais são aplicadas e reforçadas. A consistência em casa é fundamental para o sucesso das terapias.
- Reforço Positivo: Aprender a reconhecer e recompensar comportamentos desejados, por menores que sejam, é uma ferramenta poderosa para moldar novas habilidades e aumentar a autoestima.
- Rotinas Estruturadas: Para indivíduos com TDAH, a previsibilidade ajuda na organização e na execução de tarefas. Para pessoas com TEA, a rotina oferece segurança e minimiza a ansiedade em relação ao desconhecido. A família pode implementar e manter essas rotinas.
- Comunicação Assertiva e Clara: Adaptar a linguagem para ser mais direta, concisa e literal (especialmente para TEA) ou oferecer instruções em etapas claras (para TDAH) facilita a compreensão e a adesão.
- Gerenciamento de Crises: Aprender técnicas para lidar com meltdowns (crises de sobrecarga sensorial ou emocional no TEA) ou explosões de raiva (no TDAH) de forma calma e eficaz, minimizando o impacto negativo e ensinando estratégias de autorregulação.
- Intervenções Ambientais: Modificar o ambiente doméstico para minimizar distrações (para TDAH) ou hipersensibilidade sensorial (para TEA), criando um espaço mais funcional e acolhedor.
Suporte Emocional e Validação
Talvez um dos papéis mais intangíveis, porém mais impactantes, da família seja o suporte emocional.
- Aceitação Incondicional: Amar e aceitar o indivíduo como ele é, com suas particularidades, é a base para uma autoestima saudável e para o desenvolvimento de um senso de pertencimento.
- Empatia: Tentar ver o mundo pelos olhos de quem tem TDAH ou TEA ajuda a compreender as dificuldades e a reagir com paciência e compreensão, em vez de irritação ou frustração.
- Minimização da Culpa e Auto-Compaixão: Tanto o indivíduo quanto a família podem carregar um peso de culpa. A família pode aprender a perdoar-se por erros passados e a desenvolver a auto-compaixão.
- Promoção da Autonomia: Embora seja um desafio, permitir que o indivíduo desenvolva habilidades de independência, mesmo que seja de forma adaptada, é crucial para sua vida adulta.
Advocacia e Navegação pelo Sistema de Saúde/Educação
Em um país como o Brasil, e em uma metrópole como Belo Horizonte, navegar pelos sistemas de saúde e educação pode ser um labirinto. A família frequentemente atua como advogada incansável.
- Conhecimento dos Direitos: Entender a legislação (Lei Berenice Piana para TEA, por exemplo) é fundamental para garantir o acesso a direitos e serviços.
- Busca por Recursos: Identificar e acessar escolas inclusivas, terapeutas especializados, grupos de apoio (como os existentes na APAE ou em outras instituições de BH) e programas governamentais.
- Comunicação com a Escola: Estabelecer uma parceria ativa com a equipe escolar para garantir adaptações curriculares, apoio pedagógico e um ambiente acolhedor.
- Coordenação do Tratamento: Atuar como ponto central para coordenar as diferentes terapias e profissionais envolvidos (psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo).
Opções de Tratamento: Uma Abordagem Multimodal e Integrativa
O tratamento de TDAH e TEA é individualizado e, como Dr. Candiani, sempre preconizo uma abordagem multimodal, que combina diferentes estratégias para otimizar os resultados. É um trabalho de orquestra, onde cada instrumento tem sua função, mas a harmonia só se alcança com a coordenação precisa.
Abordagens Farmacológicas
Para o TDAH, a medicação psicostimulante (como o metilfenidato ou a lisdexanfetamina) é frequentemente a primeira linha de tratamento para sintomas moderados a graves, demonstrando alta eficácia na redução da desatenção, hiperatividade e impulsividade. Existem também opções não estimulantes, como a atomoxetina. Para o TEA, não há um medicamento que “cure” o autismo, mas certos medicamentos podem ser úteis para gerenciar sintomas associados, como irritabilidade, agressividade, hiperatividade, ansiedade ou depressão. É crucial ressaltar que qualquer decisão sobre medicação deve ser feita em conjunto com um psiquiatra, após uma avaliação criteriosa e considerando os riscos e benefícios individuais. Jamais se automedique ou altere dosagens sem orientação médica.
Terapias Não Farmacológicas
As terapias comportamentais e educacionais são a base do tratamento e, em muitos casos, podem ser suficientes ou complementares à medicação.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
A TCC é eficaz para TDAH, ajudando o indivíduo a desenvolver habilidades de planejamento, organização, gerenciamento de tempo e controle de impulsos. Também aborda questões de autoestima, ansiedade e depressão frequentemente associadas. Para o TEA, a TCC pode ser adaptada para trabalhar com ansiedade, inflexibilidade cognitiva e outras comorbidades.
Treinamento de Habilidades Sociais
Essencial para ambos os diagnósticos. No TDAH, ajuda na leitura de sinais sociais e na moderação da impulsividade em interações. No TEA, foca diretamente nas dificuldades de comunicação verbal e não verbal, ensinando estratégias para iniciar e manter conversas, entender ironias e expressões faciais, e navegar por diferentes contextos sociais. Muitos desses treinamentos podem ser realizados em grupos, oferecendo um ambiente seguro para a prática.
Intervenções Comportamentais (ABA para TEA)
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é amplamente reconhecida como uma das intervenções mais eficazes para o TEA, especialmente em crianças. Foca na modificação de comportamentos específicos através de princípios de aprendizado, promovendo a aquisição de novas habilidades (comunicação, sociais, acadêmicas) e a redução de comportamentos desafiadores. Existem muitos centros e profissionais de ABA qualificados em Belo Horizonte.
Acompanhamento Psicopedagógico
Fundamental para o TDAH e o TEA na idade escolar. O psicopedagogo trabalha as dificuldades de aprendizagem, desenvolve estratégias de estudo adaptadas e auxilia na comunicação entre família e escola, garantindo que as necessidades educacionais especiais sejam atendidas. Isso é particularmente relevante na rede de ensino de Belo Horizonte, que busca a inclusão, mas ainda enfrenta desafios.
Terapia Ocupacional
A terapia ocupacional é crucial para desenvolver habilidades de vida diária (organização, autonomia, coordenação motora fina) e para abordar questões de integração sensorial, que são comuns no TEA (hipersensibilidade a sons, texturas, etc.) e, por vezes, presentes no TDAH. O terapeuta ocupacional ajuda o indivíduo a adaptar o ambiente e a si mesmo para funcionar de forma mais eficaz.
A Importância da Rede de Suporte em Belo Horizonte
Aqui em Belo Horizonte, contamos com uma rede de suporte que, embora desafiadora em termos de acesso em alguns momentos, é vasta. Clínicas especializadas na região hospitalar da Santa Efigênia, grupos de apoio a pais e associações de pessoas com TDAH e TEA são recursos valiosos. A colaboração entre profissionais de diferentes áreas e a família é o que realmente faz a diferença. Procurar ajuda profissional qualificada é o primeiro passo para construir essa rede de apoio.
Superando Obstáculos e Desafios Locais em Belo Horizonte
Ainda que o cenário em Belo Horizonte para o tratamento de TDAH e Autismo tenha evoluído, persistem desafios que a família, em seu papel de advogada e navegadora, precisa enfrentar.
Acesso a Profissionais Especializados
A demanda por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos especializados em TDAH e TEA ainda é alta, e encontrar profissionais qualificados e com agenda disponível pode ser um desafio na capital mineira. É por isso que reforço a importância de buscar referências e não hesitar em procurar segunda opinião.
Preconceito e Desinformação
Apesar de todo o avanço científico, o estigma em torno dos transtornos mentais e neurodesenvolvimentais ainda é uma realidade. Muitas famílias e indivíduos enfrentam julgamento, incompreensão e até mesmo a desqualificação de seus desafios, seja no ambiente escolar, profissional ou social. O papel da família na educação e advocacy é, portanto, contínuo e vital.
O Custo do Tratamento e a Busca por Recursos Públicos/Privados
Tratamentos multimodais, especialmente com múltiplas terapias e acompanhamento contínuo, podem ser caros. Embora existam opções no SUS (via CAPS i, por exemplo) e planos de saúde (que por lei devem cobrir algumas terapias), o acesso e a qualidade podem variar. A família muitas vezes precisa lutar para garantir a cobertura e o acesso aos serviços necessários.
A Rotina Acelerada da Capital Mineira
Belo Horizonte é uma cidade com um ritmo de vida acelerado. O trânsito, a distância entre as clínicas e as escolas, e a própria dinâmica do trabalho podem dificultar a logística de múltiplos atendimentos. A organização familiar e o planejamento cuidadoso tornam-se habilidades cruciais para que o tratamento seja sustentável.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Q1: A família pode causar TDAH ou Autismo?
- A1: Não. TDAH e TEA são condições neurodesenvolvimentais com forte base genética e neurobiológica. A família não causa essas condições, mas seu ambiente e apoio são cruciais para o manejo e o desenvolvimento do indivíduo.
- Q2: Como a família pode lidar com o estresse do diagnóstico?
- A2: Buscando psicoeducação, participando de grupos de apoio, fazendo terapia individual se necessário, e aceitando que é um processo que exige paciência e autocompaixão. Não hesite em procurar ajuda profissional para você também.
- Q3: Existe cura para TDAH ou Autismo?
- A3: Não falamos em “cura”, mas em manejo e desenvolvimento. Com intervenções adequadas, indivíduos com TDAH e TEA podem desenvolver habilidades, superar desafios e ter uma vida plena e produtiva. O objetivo é aprimorar a qualidade de vida e a funcionalidade.
- Q4: É possível que um adulto seja diagnosticado com TDAH ou Autismo?
- A4: Sim, é cada vez mais comum o diagnóstico em adultos que não foram identificados na infância. Os critérios diagnósticos consideram a persistência dos sintomas desde a infância, mesmo que os desafios só se tornem mais evidentes na vida adulta.
- Q5: Qual o primeiro passo para uma família que suspeita de TDAH ou Autismo?
- A5: O primeiro passo é buscar uma avaliação profissional com um psiquiatra, neurologista infantil ou neuropediatra. Eles poderão conduzir uma investigação diagnóstica completa e orientar os próximos passos no tratamento.
Conclusão
O papel da família no tratamento do TDAH e do Autismo é inegavelmente fundamental. Não se trata de uma tarefa simples, nem de um caminho sem sobressaltos, mas sim de uma jornada que exige informação, paciência, resiliência e, acima de tudo, amor incondicional. A família que se informa, se envolve e se torna um parceiro ativo no processo terapêutico é aquela que pavimenta o caminho para o desenvolvimento pleno e a autonomia do indivíduo.
Como médico psiquiatra, especialista nessas condições, reafirmo que meu compromisso é fornecer o suporte e a orientação necessários, mas o sucesso do tratamento é sempre um esforço conjunto. Convido as famílias a buscarem o conhecimento, a se empoderarem e a não hesitar em procurar ajuda especializada. Estamos aqui para trilhar esse caminho juntos, transformando desafios em oportunidades de crescimento.
Se você tem dúvidas ou necessita de uma avaliação especializada, estou à disposição para atendê-lo em Belo Horizonte. A saúde mental é um investimento que rende frutos por toda a vida.
Dr. Marcio Candiani
CRMMG 33035 | RQE 10740
Psiquiatra | Especialista em TDAH e Autismo (Infantil e Adulto)
Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, Santa Efigênia, Belo Horizonte – MG
