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Meditação e Psiquiatria Moderna

Prezados leitores, pacientes e colegas, sejam bem-vindos. Dr. Marcio Candiani por aqui, psiquiatra em Belo Horizonte, com foco em TDAH e Autismo, e com a missão de trazer luz a temas que, por vezes, parecem flutuar entre o misticismo e a ciência. Hoje, mergulharemos em um desses tópicos intrigantes e cada vez mais relevantes: a relação entre a meditação e a psiquiatria moderna. Se você esqueceu o que ia fazer ao chegar ao final deste parágrafo, este artigo é definitivamente para você – e talvez para seu córtex pré-frontal, que anda um tanto sobrecarregado.

No cenário contemporâneo, onde a velocidade da informação e as demandas multitarefas parecem competir pela nossa atenção a cada milissegundo, a mente humana é constantemente desafiada. Em nossa querida capital mineira, Belo Horizonte, a realidade não é diferente. Entre o trânsito da Afonso Pena, a rotina agitada na região hospitalar da Santa Efigênia e as pressões diárias, é fácil sentir-se à deriva. É nesse contexto que práticas milenares, como a meditação, ressurgem, não mais como meros rituais esotéricos, mas como ferramentas terapêuticas validadas pela ciência.

A psiquiatria moderna, fundamentada em evidências, não pode se dar ao luxo de ignorar qualquer abordagem que demonstre eficácia na promoção da saúde mental. E a meditação, ao longo das últimas décadas, acumulou um corpo substancial de pesquisas que a posicionam como um adjuvante valioso no manejo de diversos transtornos psiquiátricos, desde a ansiedade e depressão até condições mais complexas como o TDAH e o TEA. Meu objetivo aqui é desmistificar, aprofundar e integrar essas duas vertentes, oferecendo uma visão abrangente e, espero, esclarecedora.

A Jornada Milenar da Meditação Rumo ao Consultório Psiquiátrico

Para entender o presente, é crucial revisitar o passado. A meditação não é uma invenção do século XXI, nem um modismo passageiro. Suas raízes são profundas e milenares, estendendo-se por diversas culturas e tradições espirituais. O que mudou foi a forma como a encaramos: de uma prática ligada à transcendência espiritual para uma disciplina cientificamente escrutinada, com efeitos mensuráveis no cérebro e no corpo.

Raízes Históricas e Filosóficas

A história da meditação é tão vasta quanto a história da humanidade. Documentos antigos, datando de milhares de anos, já descreviam técnicas de concentração e introspecção. Na Índia, por exemplo, o Yoga e o Budismo, surgidos há milênios, já incorporavam a meditação como um pilar central para o autoconhecimento e a iluminação. Siddhartha Gautama, o Buda, é talvez a figura mais icônica associada à meditação, tendo alcançado o “despertar” sob a árvore Bodhi através da introspecção profunda.

Mas não se engane pensando que é um fenômeno exclusivamente oriental. Práticas contemplativas podem ser encontradas em diversas culturas e religiões ocidentais, desde o cristianismo (com a oração contemplativa e a hesicasmo) ao islamismo (com o Sufismo). A essência, em muitos casos, era a mesma: acalmar a mente, focar a atenção e cultivar uma percepção mais profunda da realidade interior e exterior. Embora os objetivos filosóficos e espirituais variassem, a técnica fundamental de dirigir e sustentar a atenção era uma constante.

A Chegada ao Ocidente e a Academia: Jon Kabat-Zinn e o Mindfulness

A virada para a aceitação da meditação no cenário científico ocidental deve muito a uma figura em particular: Jon Kabat-Zinn. Em 1979, este biólogo molecular americano, praticante de yoga e meditação, fundou a Clínica de Redução de Estresse no Centro Médico da Universidade de Massachusetts. Seu trabalho inovador foi desenvolver o programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness (MBSR – Mindfulness-Based Stress Reduction).

O grande gênio de Kabat-Zinn foi “secularizar” a meditação, retirando-a de seu contexto religioso e espiritual para focar em seus aspectos puramente práticos e terapêuticos. Ele definiu mindfulness (atenção plena) como “prestar atenção de uma maneira particular: propositadamente, no momento presente e sem julgamento”. Essa abordagem permitiu que a meditação fosse estudada em laboratórios, submetida a ensaios clínicos e, finalmente, integrada em ambientes médicos e terapêuticos. O MBSR provou ser eficaz para uma série de condições, da dor crônica à ansiedade, pavimentando o caminho para uma proliferação de pesquisas e outras terapias baseadas em mindfulness.

A Neurociência por Trás do “Aqui e Agora”: O Mecanismo de Ação da Meditação

A aceitação da meditação pela psiquiatria moderna não se baseia em crenças ou fé, mas em evidências concretas. Graças ao avanço das neuroimagens e da neurociência, hoje podemos visualizar e compreender, em parte, o que acontece no cérebro de um indivíduo que medita regularmente. Não é mágica; é neurobiologia.

Plasticidade Cerebral e Neurotransmissores

Uma das descobertas mais fascinantes da neurociência é a plasticidade cerebral, a capacidade do cérebro de se reorganizar, formando novas conexões neurais ao longo da vida. A meditação é um poderoso agente de plasticidade. Estudos mostram que a prática regular pode induzir alterações estruturais e funcionais em áreas cerebrais cruciais para a regulação emocional, atenção e autoconsciência:

  • Córtex Pré-Frontal (CPF): Responsável pelo planejamento, tomada de decisão, regulação emocional e atenção. Meditadores experientes mostram maior atividade e espessura cortical em regiões do CPF, sugerindo melhora no controle executivo e na capacidade de focar e gerenciar emoções. Se você, como muitos dos meus pacientes em BH, luta para manter o foco em uma conversa enquanto pensa na lista de compras ou no próximo boleto, um CPF mais robusto pode ser um bom começo.
  • Amígdala: O “centro do medo” do cérebro. Em pessoas com ansiedade ou trauma, a amígdala pode ser hiperativa. A meditação demonstra reduzir o volume da amígdala e sua reatividade a estímulos estressores, diminuindo as respostas de “luta ou fuga”.
  • Hipocampo: Essencial para a memória e para a regulação emocional. A meditação está associada a um aumento do volume do hipocampo, o que pode contribuir para uma melhor regulação do humor e resiliência ao estresse.
  • Rede de Modo Padrão (RMP): É a rede cerebral que se ativa quando a mente está em “piloto automático”, divagando, ruminando sobre o passado ou preocupando-se com o futuro. Em muitas condições psiquiátricas, a RMP é excessivamente ativa. A meditação, especialmente o mindfulness, ajuda a diminuir a atividade da RMP, permitindo que a mente esteja mais presente e menos presa a padrões de pensamento negativos.

Além das alterações estruturais, a meditação também modula a química cerebral. Ela pode influenciar a liberação e a sensibilidade a neurotransmissores importantes, como:

  • Serotonina: Conhecida como o “hormônio da felicidade”, a serotonina está ligada ao humor, sono e apetite. A meditação pode otimizar seu funcionamento.
  • GABA (Ácido Gama-Aminobutírico): O principal neurotransmissor inibitório do cérebro, responsável por acalmar a atividade neural. Aumento dos níveis de GABA estão associados à redução da ansiedade.
  • Dopamina: Envolvida na recompensa, motivação e atenção. Para pacientes com TDAH, a regulação da dopamina é crucial, e a meditação pode contribuir para otimizar os circuitos dopaminérgicos.
  • Norepinefrina: Um neurotransmissor e hormônio ligado ao estresse e à atenção. A meditação ajuda a modular sua liberação, promovendo um estado de alerta calmo.

Redução do Estresse e Inflamação

O estresse crônico é um inimigo silencioso e um fator de risco para uma série de transtornos psiquiátricos e doenças físicas. A meditação é um dos métodos mais eficazes para combatê-lo. Ela atua diretamente no Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HPA), que governa a resposta do corpo ao estresse.

  • Cortisol: O principal hormônio do estresse. Estudos demonstram que a meditação regular reduz os níveis de cortisol no sangue e na saliva, atenuando os efeitos negativos do estresse crônico, como a fadiga, a supressão imunológica e o aumento da inflamação.
  • Inflamação: Cada vez mais, a psiquiatria reconhece o papel da inflamação crônica de baixo grau em transtornos como depressão e ansiedade. A meditação demonstrou reduzir marcadores inflamatórios no corpo, como as citocinas pró-inflamatórias, contribuindo para a neuroproteção e a melhora do humor.
  • Atividade do Sistema Nervoso Autônomo: A meditação favorece a ativação do sistema nervoso parassimpático (responsável pelo “descansar e digerir”), em detrimento do sistema nervoso simpático (responsável pela “luta ou fuga”). Isso leva a uma diminuição da frequência cardíaca, pressão arterial e tensão muscular, promovendo um estado de relaxamento profundo.

Meditação e os Desafios da Psiquiatria Moderna: Uma Perspectiva do DSM-5-TR

Como psiquiatra, minha abordagem é sempre guiada pelo rigor diagnóstico e terapêutico, utilizando ferramentas como o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado) para compreender as complexidades dos quadros clínicos. A meditação não é, obviamente, uma categoria diagnóstica no DSM-5-TR. No entanto, sua eficácia é inegável no manejo e, em alguns casos, na prevenção de sintomas e recorrências de diversos transtornos listados e detalhados por este manual.

Transtornos de Ansiedade

Os transtornos de ansiedade representam um dos grupos mais prevalentes na clínica psiquiátrica. A ansiedade é uma resposta natural ao perigo, mas torna-se patológica quando excessiva, persistente e desproporcional à situação, impactando significativamente a vida do indivíduo. O DSM-5-TR descreve diversas formas:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Caracterizado por preocupação excessiva e incontrolável sobre múltiplos eventos ou atividades, por pelo menos seis meses.
  • Transtorno de Pânico: Ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por preocupação persistente com novos ataques ou suas consequências.
  • Fobia Social (Transtorno de Ansiedade Social): Medo ou ansiedade marcantes em situações sociais onde o indivíduo é exposto ao possível escrutínio de outros.

Como a Meditação Ajuda: A meditação mindfulness é particularmente eficaz para ansiedade. Ela ensina os indivíduos a observar pensamentos e sensações ansiosas sem julgamento e sem se identificar com eles. Isso interrompe o ciclo de ruminação e superidentificação com a preocupação, que é central em muitos transtornos de ansiedade. Ao focar no presente, a meditação reduz a antecipação catastrófica e a evitação, promovendo uma maior capacidade de regulação emocional e autoconsciência. Muitos dos meus pacientes em Belo Horizonte, que enfrentam a pressão do dia a dia e o ritmo acelerado da cidade, encontram na meditação um refúgio para desacelerar a mente e gerenciar os sintomas de ansiedade que se manifestam de diversas formas, desde palpitações no trânsito até insônia persistente.

Transtorno Depressivo Maior

A depressão vai muito além de uma simples tristeza. O Transtorno Depressivo Maior, conforme o DSM-5-TR, é caracterizado por um período de pelo menos duas semanas com humor deprimido ou perda de interesse/prazer em quase todas as atividades, acompanhados de sintomas como alterações de apetite/sono, fadiga, sentimentos de inutilidade/culpa, dificuldade de concentração e pensamentos de morte. A recorrência é um grande desafio.

Como a Meditação Ajuda: A meditação, especialmente em abordagens como a Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT), tem demonstrado grande eficácia na prevenção de recaídas depressivas. Ela ensina os indivíduos a reconhecer os primeiros sinais de um episódio depressivo e a interromper padrões de ruminação e pensamentos negativos que muitas vezes antecedem uma recaída. Ao aumentar a consciência sobre os próprios estados mentais e emocionais, o paciente ganha ferramentas para desengajar-se de espirais descendentes de pensamento, promovendo uma maior resiliência emocional. Não é para substituir o tratamento medicamentoso ou a psicoterapia, mas para complementá-los, dando ao paciente um senso de agência sobre sua própria mente.

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Como especialista em TDAH (e quem sabe, talvez eu mesmo me identifique com alguns dos traços de curiosidade e busca por estímulos para escrever um artigo tão extenso), sei que o TDAH não é apenas “falta de atenção”. Conforme o DSM-5-TR, é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interferem no funcionamento ou desenvolvimento. Em adultos, manifesta-se frequentemente como dificuldade de organização, procrastinação crônica, desregulação emocional, e uma sensação constante de “mente cheia” ou “mente acelerada”.

Como a Meditação Ajuda: Para muitos dos meus pacientes com TDAH em Belo Horizonte, a meditação pode ser um desafio inicial, dada a dificuldade de sustentar a atenção. Contudo, com orientação e paciência, as práticas de mindfulness podem ser incrivelmente benéficas. Elas ajudam a:

  • Melhorar o Foco Sustentado: A meditação é, em sua essência, um treinamento da atenção. Ao praticar o foco em um objeto (como a respiração), o cérebro aprende a sustentar a atenção e a retornar a ela quando a mente divaga, um exercício diretamente aplicável aos desafios do TDAH.
  • Reduzir a Impulsividade: Ao cultivar a consciência do momento presente, a meditação cria um “espaço” entre o estímulo e a resposta, permitindo ao indivíduo escolher uma reação mais ponderada em vez de agir impulsivamente.
  • Melhorar a Regulação Emocional: A desregulação emocional é uma comorbidade frequente no TDAH. A meditação ajuda a reconhecer e processar emoções de forma mais saudável, sem ser arrastado por elas.
  • Diminuir a Ruminação e a “Mente Acelerada”: Pacientes com TDAH frequentemente relatam uma profusão de pensamentos simultâneos. A meditação pode ajudar a organizar e acalmar essa atividade mental, trazendo mais clareza.

É importante ressaltar que a meditação não “cura” o TDAH, mas pode ser uma ferramenta poderosa para gerenciar seus sintomas, complementando a terapia medicamentosa e outras abordagens comportamentais.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme o DSM-5-TR, é caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e interação social em múltiplos contextos, juntamente com padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Em adultos, o TEA pode manifestar-se com desafios na leitura de sinais sociais sutis, hipersensibilidade sensorial, ansiedade social e rigidez cognitiva.

Como a Meditação Ajuda: Embora o TEA apresente desafios únicos, a meditação tem se mostrado promissora, especialmente para adultos e adolescentes com autismo de alto funcionamento. Os benefícios incluem:

  • Redução da Ansiedade: Indivíduos no espectro frequentemente experimentam altos níveis de ansiedade, exacerbados por desafios sociais e sobrecarga sensorial. A meditação pode ajudar a acalmar o sistema nervoso e a reduzir essa ansiedade.
  • Melhora da Regulação Sensorial: Para aqueles com hipersensibilidade a estímulos (luzes, sons, texturas), a meditação pode aumentar a capacidade de processar e tolerar esses estímulos, alterando a resposta a eles.
  • Aumento da Consciência Corporal: Técnicas de escaneamento corporal na meditação podem ajudar indivíduos com TEA a desenvolver uma maior consciência de suas próprias sensações internas, o que pode ser útil para identificar e gerenciar estados de sobrecarga ou estresse.
  • Desenvolvimento de Habilidades de Autorregulação: A prática regular pode capacitar o indivíduo a melhor monitorar e ajustar seus estados internos, reduzindo a frequência e intensidade de crises ou meltdowns.

A abordagem deve ser adaptada, com instrução clara, ambientes calmos e foco em técnicas mais concretas e sensoriais, como a respiração. É fundamental que seja introduzida com sensibilidade e paciência, respeitando as particularidades de cada indivíduo no espectro.

Outras Aplicações da Meditação na Saúde Mental

Além dos transtornos mencionados, a meditação tem um leque amplo de aplicações complementares:

  • Dor Crônica: Ajuda a mudar a percepção da dor, reduzindo o sofrimento associado a ela.
  • Insônia: Promove o relaxamento e acalma a mente, facilitando o início e a manutenção do sono.
  • Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT): Com abordagens cuidadosamente adaptadas, pode ajudar na regulação emocional e na diminuição da reatividade a gatilhos.
  • Transtornos Alimentares: Ajuda a cultivar uma relação mais consciente e menos julgadora com a alimentação e o corpo.

Integrando a Meditação no Plano Terapêutico em Belo Horizonte

Como médico psiquiatra na vibrante Belo Horizonte, atuo na Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, na região hospitalar da Santa Efigênia. Vejo diariamente as complexidades que a vida na capital mineira impõe aos meus pacientes. A meditação não é uma panaceia, mas uma ferramenta incrivelmente valiosa que, quando bem empregada, pode potencializar os resultados de um plano terapêutico integrativo.

Não é Panaceia, Mas Ferramenta Valiosa

É crucial frisar: a meditação não substitui a avaliação psiquiátrica, o acompanhamento psicológico ou, quando indicado, o tratamento medicamentoso. Ela é um complemento, um adjuvante que empodera o paciente. Meu papel é integrar essa e outras abordagens baseadas em evidências para oferecer o melhor cuidado possível.

A meditação oferece ao paciente uma forma ativa de participar de seu próprio tratamento, desenvolvendo habilidades de autorregulação que podem ser usadas em qualquer lugar, a qualquer momento. Em vez de ser um receptor passivo de tratamento, o paciente se torna um agente ativo de sua própria mudança e bem-estar.

Tipos de Meditação e Escolha

Assim como há diferentes tipos de terapias ou medicamentos, existem diversas modalidades de meditação. A escolha depende das necessidades e preferências individuais:

  • Meditação Mindfulness (Atenção Plena): A mais estudada cientificamente. Foca em trazer a atenção para o momento presente, observando pensamentos, sentimentos e sensações corporais sem julgamento. É excelente para ansiedade, depressão e TDAH.
  • Meditação de Concentração (Samatha): Foca a atenção em um único objeto (respiração, mantra, chama de vela) para acalmar a mente e desenvolver a capacidade de foco. Útil para quem busca melhorar a atenção e reduzir a distração.
  • Meditação Vipassana: Uma forma de meditação de introspecção que visa desenvolver uma percepção profunda da verdadeira natureza da realidade, observando as sensações corporais.
  • Meditação Transcendental (MT): Usa um mantra específico para cada praticante, ensinado por um instrutor qualificado, para alcançar um estado de relaxamento profundo e clareza mental.
  • Meditação Caminhando: Prática de mindfulness aplicada à caminhada, prestando atenção aos movimentos do corpo e às sensações dos pés no chão. Uma ótima alternativa para quem tem dificuldade em ficar parado.
  • Meditação Metta (Bondade Amorosa): Foca no desenvolvimento de sentimentos de amor, bondade e compaixão por si mesmo e pelos outros. Especialmente útil para pessoas que lutam com autocrítica ou raiva.

A chave é encontrar uma prática que ressoe com o indivíduo e que possa ser incorporada de forma consistente na rotina. Começar com poucos minutos por dia e ir aumentando gradualmente é a melhor estratégia.

Desafios Práticos para o Paciente Mineiro

A vida em uma metrópole como Belo Horizonte impõe seus próprios desafios à prática da meditação:

  • Rotina Agitada: Conciliar trabalho, estudos, família e o trânsito da capital mineira pode tornar difícil “encontrar tempo” para meditar. A solução é começar pequeno e integrar a meditação em momentos cotidianos, como no ônibus, antes de dormir ou ao acordar.
  • Expectativa de Resultados Rápidos: Vivemos na era do “fast-food” mental. Muitos pacientes buscam soluções instantâneas para problemas complexos. A meditação exige paciência e persistência; os benefícios se acumulam ao longo do tempo. Não é um analgésico de efeito imediato, mas um fortalecimento muscular para a mente.
  • Dificuldade de Foco: Para pacientes com TDAH ou em estados de alta ansiedade, a ideia de “focar na respiração” pode parecer uma tortura chinesa. Nesses casos, a orientação de um profissional e o uso de meditações guiadas curtas podem ser muito úteis.
  • Acesso a Recursos: Embora a internet ofereça muitos aplicativos e vídeos, a orientação profissional, seja de um instrutor qualificado em mindfulness ou de um terapeuta que integre a meditação, pode fazer toda a diferença, especialmente no início.

A Clínica do Dr. Marcio Candiani: Abordagem Integrada

Em meu consultório, localizado na Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, na região hospitalar da Santa Efigênia, em Belo Horizonte, entendo que a saúde mental é multifacetada. A meditação, para mim, não é uma moda, mas uma ferramenta clínica validada. Ao discutir opções terapêuticas, sempre considero como a meditação pode se encaixar no tratamento individualizado de cada paciente, seja para gerenciar a impulsividade no TDAH, a ansiedade no TEA ou a ruminação na depressão.

Acredito em um modelo de cuidado que não apenas trate os sintomas, mas que capacite o indivíduo a cultivar uma mente mais resiliente, focada e compassiva. A psiquiatria moderna, em minha visão, é aquela que sabe dialogar com as neurociências, a farmacologia e, sim, com as práticas contemplativas milenares que a ciência agora nos permite compreender e validar.

O Futuro da Meditação na Psiquiatria

O campo de pesquisa sobre meditação e saúde mental está em constante expansão. Novas tecnologias de neuroimagem, estudos genéticos e ensaios clínicos mais robustos continuam a desvendar os mistérios de como essas práticas afetam nossa biologia e psicologia. O futuro provavelmente verá uma maior integração da meditação em protocolos de tratamento padrão, talvez até mesmo com “prescrições” personalizadas de tipos específicos de meditação para condições particulares.

Desafios ainda persistem, como a padronização das intervenções, a garantia de instrutores qualificados e a democratização do acesso a essas práticas para todas as camadas da sociedade. No entanto, a trajetória é clara: a meditação deixou de ser uma curiosidade excêntrica para se tornar uma componente respeitada e cada vez mais essencial no arsenal terapêutico da psiquiatria moderna.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é meditação mindfulness?

Mindfulness, ou atenção plena, é a prática de focar intencionalmente no momento presente, observando pensamentos, sentimentos e sensações corporais sem julgamento. É a forma de meditação mais estudada cientificamente.

A meditação pode substituir medicamentos psiquiátricos?

Não. A meditação é um complemento terapêutico valioso que pode potencializar o tratamento e auxiliar no manejo dos sintomas, mas não substitui a avaliação e o tratamento médico psiquiátrico, incluindo medicamentos, quando indicados. A decisão de alterar qualquer tratamento deve ser feita em conjunto com seu médico.

Quanto tempo devo meditar para ver os benefícios?

Os benefícios podem começar a ser percebidos com apenas 5 a 10 minutos de prática diária. A consistência é mais importante do que a duração. Com o tempo, muitos praticantes aumentam para 20-30 minutos ou mais.

A meditação é apropriada para crianças e adolescentes com TDAH ou TEA?

Sim, com adaptações. Para crianças e adolescentes, a meditação pode ser introduzida de forma lúdica, com atividades mais curtas e focadas, como exercícios de respiração, escaneamento corporal ou meditação caminhando. Sempre com orientação profissional adequada.

Preciso ser “espiritual” para meditar?

Absolutamente não. A meditação, especialmente em suas abordagens seculares como o mindfulness, é uma prática de treinamento mental e foco, sem qualquer conotação religiosa ou espiritual, a menos que o praticante deseje atribuir a ela esse significado.

Conclusão

A interseção entre a meditação e a psiquiatria moderna é um campo fértil e promissor. Como Dr. Marcio Candiani, CRMMG 33035, RQE 10740, médico psiquiatra em Belo Horizonte, especialista em TDAH e Autismo, vejo diariamente o impacto da sobrecarga mental na vida das pessoas. A meditação oferece uma via para o autoconhecimento, a regulação emocional e o fortalecimento da mente em um mundo cada vez mais desafiador.

Não é a solução mágica para todos os problemas, mas é uma ferramenta poderosa que, aliada a um tratamento psiquiátrico adequado e individualizado, pode transformar vidas. Se você está em Belo Horizonte e busca uma abordagem integrativa para sua saúde mental, considere a meditação como parte do seu percurso. A ciência está ao nosso lado, e a mente, quando bem treinada, pode ser nossa maior aliada.

Permaneço à disposição para esclarecimentos e para auxiliar nessa jornada de autoconhecimento e bem-estar. Meu consultório está na Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, na região da Santa Efigênia, em Belo Horizonte.

Atenciosamente,

Dr. Marcio Candiani
CRMMG 33035 | RQE 10740
Médico Psiquiatra | Especialista em TDAH e Autismo (Infantil e Adulto)

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