IFBr-A online: escala para preenchimento e impressão
Preencha os dados, pontue as 41 atividades e clique em Calcular. No modo de dois avaliadores (perícia médica e serviço social), o total segue a lógica da portaria. No modo de um avaliador, a pontuação é dobrada para fins de comparação com as faixas, e o resultado é apresentado como estimativa.
O que é o IFBr-A e quando ele é usado
A Lei Complementar nº 142/2013 criou a aposentadoria da pessoa com deficiência no Regime Geral de Previdência Social. Ela considera pessoa com deficiência quem tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, podem obstruir a participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições. Pela portaria, o impedimento de longo prazo é aquele que dura, de forma ininterrupta, no mínimo dois anos.
A lei determina uma avaliação médica e funcional. O instrumento que torna essa avaliação padronizada é o IFBr-A, aprovado pela Portaria Interministerial AGU/MPS/MF/SEDH/MPOG nº 1, de 27 de janeiro de 2014. O INSS aplica o instrumento em duas frentes: a perícia médica, que identifica diagnóstico, tipo de impedimento, funções do corpo acometidas e data provável de início, e a avaliação social, feita por assistente social, que analisa o impacto concreto na autonomia, na mobilidade, na comunicação, na vida doméstica, na educação e na inserção profissional. Para um guia prático voltado ao segurado, vale a leitura do material do IEPREV sobre o IFBr-A.
Como funciona a pontuação e quais são os graus
O IFBr-A tem 41 atividades distribuídas em sete domínios. Cada atividade recebe 25, 50, 75 ou 100 pontos, conforme o nível de independência. A pontuação de cada domínio é a soma das suas atividades, e a pontuação total é a soma dos sete domínios, somando-se as notas do perito médico e do assistente social. Por isso, os limites da escala vão de 2.050 pontos (25 × 41 × 2) a 8.200 pontos (100 × 41 × 2).
| Domínio | Nº de atividades | Exemplos |
|---|---|---|
| 1. Sensorial | 2 | Observar; ouvir |
| 2. Comunicação | 5 | Receber e produzir mensagens; conversar; discutir |
| 3. Mobilidade | 8 | Mudar de posição; deslocar-se; usar transporte |
| 4. Cuidados pessoais | 8 | Lavar-se; vestir-se; comer; identificar agravos à saúde |
| 5. Vida doméstica | 5 | Preparar lanches; cozinhar; tarefas domésticas |
| 6. Educação, trabalho e vida econômica | 5 | Educação; trabalho remunerado; administrar recursos |
| 7. Socialização e vida comunitária | 8 | Relações familiares e com estranhos; fazer as próprias escolhas |
Faixas de classificação (pontuação total)
| Pontuação total | Classificação |
|---|---|
| Até 5.739 | Deficiência grave |
| 5.740 a 6.354 | Deficiência moderada |
| 6.355 a 7.584 | Deficiência leve |
| 7.585 ou mais | Pontuação insuficiente para a concessão do benefício |
Quanto menor a pontuação, maior a limitação funcional. A escala premia a independência, de modo que um resultado baixo sinaliza dependência de terceiros em muitas atividades.
Modelo Fuzzy: por que a nota final pode ser corrigida
A portaria prevê um modelo linguístico Fuzzy para evitar que o somatório simples esconda a gravidade em áreas decisivas. Para cada tipo de impedimento, o modelo olha para dois domínios mais sensíveis, para uma questão emblemática e para a disponibilidade de auxílio de terceiros.
| Impedimento | Domínios observados | Questão emblemática |
|---|---|---|
| Auditivo | Comunicação e Socialização | A surdez ocorreu antes dos 6 anos |
| Intelectual e mental | Vida doméstica e Socialização | Não pode ficar sozinho em segurança |
| Físico | Mobilidade e Cuidados pessoais | Desloca-se exclusivamente em cadeira de rodas |
| Visual | Mobilidade e Vida doméstica | Já não enxergava ao nascer |
A correção é acionada quando há resposta afirmativa à questão emblemática, quando a pessoa não dispõe do auxílio de terceiros sempre que necessário, quando há nota 25 ou 50 em alguma atividade do domínio, ou quando todas as atividades do domínio receberam 75. Nesses casos, todas as atividades do domínio passam a ter a menor nota atribuída ali. A ferramenta acima aplica essa regra por avaliador e por impedimento informado.
Observação técnica: a implementação desta página segue a leitura mais direta do texto da portaria. O sistema do INSS prevalece em caso de diferença de interpretação.
Resultado do IFBr-A e tempo de contribuição na LC 142/2013
O grau encontrado define o tempo de contribuição exigido na aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência:
| Grau | Homem | Mulher |
|---|---|---|
| Grave | 25 anos | 20 anos |
| Moderada | 29 anos | 24 anos |
| Leve | 33 anos | 28 anos |
Há também a aposentadoria por idade: 60 anos (homem) ou 55 anos (mulher), independentemente do grau, com carência mínima de 15 anos de contribuição e comprovação da deficiência durante igual período. O cálculo do benefício e as regras de transição posteriores à reforma previdenciária devem ser analisados por advogado previdenciarista ou pelo próprio INSS.
IFBr-A, IFBr-M e WHODAS 2.0: qual a diferença?
| IFBr-A | IFBr-M (Modificado) | WHODAS 2.0 | |
|---|---|---|---|
| Natureza | Instrumento previdenciário regulamentado | Proposta do grupo de trabalho em validação, não regulamentada | Escala de funcionamento da OMS |
| Uso | Grau de deficiência na aposentadoria da LC 142/2013 | Proposta de modelo único de avaliação biopsicossocial | Clínica, pesquisa e acompanhamento |
| Estrutura | 41 atividades, 7 domínios | 57 atividades, 7 domínios, réguas por faixa etária | 12 ou 36 itens, 6 domínios |
| Resultado | Pontuação com faixas legais (grave, moderada, leve) | Gravidade por faixa etária (a definir) | Escore de incapacidade, sem efeito previdenciário |
Se o objetivo é medir funcionamento e incapacidade na rotina clínica, use o WHODAS 2.0 online com PDF. Se o objetivo é entender a graduação da deficiência na aposentadoria, o instrumento é o IFBr-A. As duas escalas não se substituem e os escores não são conversíveis. Sobre o IFBr-M, o próprio material de discussão do tema o descreve como instrumento ainda não validado e não regulamentado, razão pela qual esta página não gera classificação por ele.
Saúde mental, TEA, TDAH e o IFBr-A
Transtornos do neurodesenvolvimento e transtornos mentais podem configurar impedimento intelectual ou mental/psicossocial, desde que sejam de longo prazo e produzam restrição funcional documentada. O diagnóstico, por si só, não define o grau: o que pesa é o desempenho real nas 41 atividades, a necessidade de apoio de terceiros e as barreiras do ambiente. Um relatório útil descreve o curso do quadro, o tratamento realizado e o efeito funcional concreto, com exemplos do dia a dia, em vez de repetir o CID.
Na prática clínica, ajudam a fundamentar o relato: a data de início e a evolução dos sintomas, a resposta ao tratamento, a necessidade de supervisão para tarefas de autocuidado, de dinheiro e de segurança, e o impacto no estudo, no trabalho e nas relações. Para os domínios que o Fuzzy privilegia no impedimento mental e intelectual, vida doméstica e socialização, vale registrar exemplos objetivos.
Perguntas frequentes sobre o IFBr-A
O que é o IFBr-A?
É o instrumento da Portaria Interministerial nº 1/2014 que pontua 41 atividades em 7 domínios para definir o grau da deficiência (grave, moderada ou leve) na aposentadoria da LC 142/2013.
Como o IFBr-A classifica o grau da deficiência?
Pela soma das pontuações da perícia médica e do serviço social: até 5.739 é grave; de 5.740 a 6.354, moderada; de 6.355 a 7.584, leve; a partir de 7.585, a pontuação é insuficiente para a concessão.
Qual o tempo de contribuição exigido em cada grau?
Grave: 25 anos (homem) e 20 (mulher). Moderada: 29 e 24. Leve: 33 e 28. Pela idade: 60 (homem) ou 55 (mulher), com 15 anos de contribuição e deficiência comprovada por igual período.
O que é o modelo Fuzzy do IFBr-A?
É uma regra de correção que, conforme o tipo de impedimento, observa dois domínios, uma questão emblemática e a disponibilidade de auxílio de terceiros. Quando acionada, todas as atividades do domínio recebem a menor nota atribuída nele.
Um médico particular pode aplicar o IFBr-A?
Qualquer profissional de saúde pode usar a escala para organizar a avaliação funcional e subsidiar relatórios. A classificação oficial do grau, porém, é feita pela perícia do INSS, e o resultado de uma simulação não substitui a perícia.
O IFBr-A vale para o BPC?
Não use este resultado para o BPC. A avaliação do Benefício de Prestação Continuada tem regras próprias, e esta página trata exclusivamente da aposentadoria da pessoa com deficiência da LC 142/2013.
Qual a diferença entre IFBr-A e IFBr-M?
O IFBr-A é regulamentado e usado na aposentadoria. O IFBr-M é uma proposta com 57 atividades e réguas por faixa etária, ainda em validação e sem regulamentação.
Qual a diferença entre IFBr-A e WHODAS 2.0?
O WHODAS 2.0 é uma escala de funcionamento da OMS, sem efeito previdenciário. O IFBr-A tem faixas legais e é usado para graduar a deficiência na aposentadoria. Veja o WHODAS 2.0 online para a avaliação clínica de funcionamento.
Fontes consultadas
- Lei Complementar nº 142, de 8 de maio de 2013 (Planalto)
- Portaria Interministerial AGU/MPS/MF/SEDH/MPOG nº 1, de 27 de janeiro de 2014 (DOU de 30/01/2014)
- Proposta de aprimoramento do IFBr-M (AMPID, 2023)
- Decifrando o IFBr-A: guia prático da avaliação biopsicossocial (IEPREV)
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