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Terror Noturno: o que é, sintomas, causas e tratamento

Ilustração 3D em miniatura sobre insônia por ansiedade - Dr. Márcio Candiani, psiquiatra em Belo Horizonte

Saúde mental · Sono

Terror noturno é um episódio em que a pessoa, durante o sono profundo, grita, se agita e parece apavorada, mas não está acordada e não se lembra de nada no dia seguinte. É uma parassonia, isto é, um comportamento anormal durante o sono, muito comum em crianças de 3 a 12 anos. Assusta quem assiste, porém na maioria dos casos é benigno e passa com o crescimento. Quando aparece na adolescência ou na vida adulta, merece investigação.

Resumo rápido

  • Terror noturno é um despertar parcial do sono profundo: a pessoa parece acordada e aterrorizada, mas segue dormindo.
  • Dura em geral de 1 a 15 minutos, ocorre na primeira metade da noite e não deixa lembrança.
  • Causas comuns: privação de sono, febre, estresse, horários irregulares e distúrbios respiratórios do sono.
  • O que fazer: proteger, não acordar à força e manter a rotina de sono. Procure avaliação se for frequente ou começar tarde.

O que é terror noturno

O terror noturno, também chamado de pavor noturno, é um episódio de despertar confusional que acontece durante o sono de ondas lentas, a fase mais profunda do descanso. O cérebro “acorda” só em parte: as áreas que comandam os movimentos e as emoções se ativam, enquanto as áreas da consciência e da memória continuam dormindo.

Por isso a pessoa pode sentar na cama, gritar, chorar, suar e ter o coração acelerado, de olhos abertos, sem reconhecer ninguém. Para os pais, a cena é angustiante. Para a criança, que não percebe nada, o episódio simplesmente não aconteceu. Esse é um dos pontos que mais ajuda a diferenciá-lo de um pesadelo.

Sintomas do terror noturno

  • Grito ou choro intenso que começa de repente, em geral na primeira parte da noite, uma a quatro horas depois de dormir.
  • Olhos abertos, mas sem resposta: a pessoa não reconhece quem a chama e pode afastar o consolo.
  • Sinais de medo extremo, como suor, respiração rápida, pupilas dilatadas e batimento acelerado.
  • Agitação motora: debater-se, sentar, levantar ou até correr pelo quarto.
  • Duração curta, geralmente de 1 a 15 minutos, seguida de volta ao sono.
  • Nenhuma lembrança do episódio na manhã seguinte.

Terror noturno ou pesadelo?

As duas situações são confundidas, mas são fenômenos diferentes, com causas e conduta diferentes:

CaracterísticaTerror noturnoPesadelo
Fase do sonoSono profundo (não REM)Sono REM
HorárioPrimeira metade da noiteSegunda metade, perto da manhã
A pessoa acorda?Não, segue dormindoSim, desperta assustada
Responde ao consolo?NãoSim
Lembra no dia seguinte?NãoSim, relata o sonho
Como agirProteger e aguardarAcolher e confortar

Terror noturno em crianças

É a faixa etária mais afetada. O terror noturno aparece com mais frequência entre 3 e 12 anos, com pico em torno dos 4 a 6 anos, e atinge uma parcela relevante das crianças em algum momento. Ele tende a diminuir na adolescência, à medida que o sono profundo se reduz e o cérebro amadurece. Há componente familiar: filhos de pais que tiveram terror noturno ou sonambulismo têm mais chance de apresentá-lo.

A maioria das crianças não precisa de medicação. O que costuma resolver é garantir sono suficiente e regular. Para um panorama dos problemas de sono nessa fase, leia sobre transtornos do sono em crianças e adolescentes e sobre a atuação em psiquiatria infantil em BH.

Terror noturno em adultos

É menos comum, mas existe. Quando o terror noturno persiste até a vida adulta ou surge pela primeira vez depois da adolescência, a investigação deve ser mais cuidadosa, porque ele costuma ter uma causa associada, e não apenas imaturidade do sono. As mais frequentes são estresse e ansiedade, privação de sono, apneia do sono, uso de álcool, alguns medicamentos e o estresse pós-traumático. Em adultos, os episódios podem envolver mais agitação e risco de lesão.

Causas e fatores que desencadeiam o terror noturno

Privação de sono e horários irregulares

Dormir pouco ou em horários variáveis aumenta o sono profundo na noite seguinte, e é nele que o episódio ocorre. É o gatilho mais comum. Veja como a rotina afeta o descanso em higiene do sono e saúde mental.

Estresse e ansiedade

Mudanças na rotina, conflitos, início escolar e pressão emocional elevam a chance de episódios, tanto em crianças quanto em adultos. Quando a tensão aparece sobretudo à noite, leia ansiedade noturna e insônia por ansiedade.

Febre, doenças e distúrbios do sono

Febre, dor, refluxo, apneia obstrutiva do sono e síndrome das pernas inquietas fragmentam o sono e podem provocar despertares parciais. Tratar esses problemas costuma reduzir os episódios.

Substâncias e medicamentos

Álcool, excesso de cafeína e certos remédios podem favorecer parassonias. Nunca suspenda um medicamento por conta própria: converse com o médico que o prescreveu. Veja também álcool e sono.

TDAH e autismo (TEA)

Problemas de sono são muito frequentes em crianças e adultos com TDAH e com autismo, entre eles dificuldade para adormecer, despertares noturnos e parassonias. Isso não quer dizer que terror noturno indique TDAH ou autismo, mas, quando há sono muito desorganizado junto de outros sinais, vale investigar.

O que fazer durante um episódio

  1. Mantenha a calma. O episódio é impressionante, mas não machuca a pessoa por si só.
  2. Proteja o ambiente: afaste objetos, cuide de escadas e janelas e conduza a pessoa de volta à cama se ela levantar.
  3. Não tente acordar à força. Sacudir ou gritar pode aumentar a confusão e prolongar o episódio.
  4. Fale baixo e fique por perto, sem exigir resposta.
  5. Aguarde o fim. Quase sempre a pessoa se acalma e volta a dormir sozinha.
  6. Não converse sobre o episódio com a criança no dia seguinte de forma assustadora, para não gerar medo de dormir.

Como prevenir novos episódios

  • Durma o suficiente. Crianças em idade escolar precisam em média de 9 a 12 horas de sono por noite.
  • Mantenha horários fixos para deitar e acordar, inclusive nos fins de semana.
  • Crie um ritual calmo antes de dormir, sem telas e sem estímulos fortes.
  • Reduza o estresse e converse sobre preocupações durante o dia.
  • Evite cafeína e álcool no fim da tarde e à noite.
  • Use o despertar programado quando os episódios têm horário previsível: acordar a criança de forma suave cerca de 15 minutos antes do horário habitual do episódio, por algumas semanas, sob orientação do médico.

Como é a avaliação com o psiquiatra

A consulta reconstrói a história do sono: quando os episódios começaram, quantos por semana, em que horário, quanto duram, o que os antecede e como a pessoa está no dia seguinte. O médico também investiga estresse, ansiedade, trauma, uso de substâncias e medicamentos, ronco ou pausas respiratórias e história familiar de parassonias, TDAH ou autismo.

Quando há suspeita de apneia, epilepsia noturna ou outra causa orgânica, pode ser pedido um exame do sono (polissonografia) ou a avaliação de outro especialista. O tratamento depende da causa: na maioria das crianças bastam orientações de rotina; em adultos, trata-se a condição associada, com psicoterapia e, quando indicado, medicação. Veja ainda insônia e distúrbios do sono em Belo Horizonte.

Quando procurar ajuda

  • Os episódios ocorrem várias vezes por semana ou todas as noites.
  • Começam na adolescência ou na vida adulta, ou aparecem depois de um evento traumático.
  • Há lesões, saídas de casa durante o sono ou risco para a pessoa e para os outros.
  • O sono ruim causa cansaço, irritabilidade ou queda no desempenho no dia seguinte.
  • Existem ronco alto, pausas na respiração, ansiedade intensa ou suspeita de TDAH ou autismo.
  • Em sofrimento intenso ou pensamentos de se machucar, ligue para o CVV, no 188, ou procure um serviço de urgência.

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Atendimento com o Dr. Márcio Candiani

O Dr. Márcio Candiani é psiquiatra infantil e adulto, com atuação focada em TDAH e autismo (TEA), e cerca de 25 anos de experiência clínica. Essa dupla atuação ajuda a enxergar o sono dentro do quadro completo da criança ou do adulto, porque sono desorganizado e parassonias são frequentes nesses perfis e muitas vezes passam despercebidos. O consultório tem mais de 220 avaliações no Google, com nota 5,0.

Dr. Márcio Candiani · Psiquiatra · CRM-MG 33.035 · RQE 10.740

Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001 (9º andar), Santa Efigênia, Belo Horizonte, MG

Telefone: (31) 3370-8605 · WhatsApp: (31) 99728-8883

Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 18h, presencial e online. Conheça o trabalho de um psiquiatra em Belo Horizonte.

Perguntas frequentes sobre terror noturno

O que é terror noturno?

Terror noturno é um episódio de despertar parcial durante o sono profundo, em que a pessoa grita, se agita e parece assustada, mas continua dormindo e não se lembra de nada depois. É uma parassonia comum em crianças e, na maioria dos casos, desaparece com o crescimento.

Qual a diferença entre terror noturno e pesadelo?

No pesadelo a pessoa acorda, lembra do sonho e pode ser consolada. No terror noturno ela segue dormindo, não responde a quem a chama e não guarda memória do episódio. O terror ocorre na primeira parte da noite; o pesadelo, mais perto da manhã.

Terror noturno é perigoso?

O episódio em si não costuma causar dano, mas a pessoa pode se machucar ao se debater, levantar ou correr pela casa. O cuidado é proteger o ambiente e não forçar o despertar. Episódios frequentes merecem avaliação médica para investigar causas como apneia e privação de sono.

O que fazer durante um episódio de terror noturno?

Mantenha a calma, proteja a pessoa de quedas e aguarde o fim do episódio, que costuma durar de 1 a 15 minutos. Não grite, não sacuda e não tente acordá-la à força, porque isso pode prolongar a confusão. Depois, ajude-a a voltar a dormir.

Terror noturno em criança precisa de tratamento?

Na maioria dos casos não precisa de medicamento. Rotina de sono regular, horas suficientes de descanso e redução de estresse resolvem grande parte dos casos. A avaliação médica é indicada quando os episódios são muito frequentes, começam tarde, causam lesões ou vêm com outros sintomas.

Adulto pode ter terror noturno?

Sim, embora seja bem menos comum do que na infância. Em adultos, o terror noturno costuma estar ligado a estresse, privação de sono, apneia do sono, uso de álcool ou medicamentos e transtornos como ansiedade e estresse pós-traumático. Nesse grupo, a investigação clínica é recomendada.

Quando procurar um psiquiatra por terror noturno?

Quando os episódios ocorrem várias vezes por semana, começam na adolescência ou na vida adulta, causam lesões, deixam o sono e o dia seguinte prejudicados ou se associam a ansiedade, trauma, TDAH ou autismo. A avaliação identifica a causa e define o tratamento.

Referências

  1. Mayo Clinic. Sleep terrors (night terrors).
  2. NHS. Night terrors and sleepwalking.
  3. StatPearls. Night Terrors. National Library of Medicine.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui consulta médica. Apenas um médico pode diagnosticar e indicar tratamento. Em caso de sofrimento intenso ou risco, procure atendimento imediato ou ligue para o CVV, no 188.


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