Uma crise de pânico costuma ser assustadora: o coração dispara, falta o ar, e vem a sensação de que algo muito grave está acontecendo. Quando essas crises se repetem e passam a mudar a rotina da pessoa por medo de uma nova crise, o quadro deixa de ser um episódio isolado e passa a se chamar transtorno do pânico (ou síndrome do pânico, como é popularmente conhecida).
O que é uma crise de pânico
Uma crise de pânico é um surto repentino de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos. Os sintomas envolvem três dimensões que costumam aparecer juntas:
- Físicos: palpitações, falta de ar, tremores, sudorese, tontura, náuseas, formigamento, ondas de calor ou calafrios.
- Cognitivos: medo de morrer, medo de enlouquecer ou perder o controle.
- Perceptívos: sensação de desrealização (o ambiente parece estranho ou irreal) ou despersonalização (sensação de estar fora do próprio corpo).
Para caracterizar uma crise de pânico do ponto de vista clínico, são necessários pelo menos 4 desses sintomas ao mesmo tempo, com início abrupto e duração de minutos a cerca de uma hora.
Quando vira transtorno do pânico
Ter uma crise de pânico isolada, em um momento de estresse muito intenso, não significa necessariamente ter o transtorno. O diagnóstico de transtorno do pânico exige crises recorrentes e inesperadas, seguidas de pelo menos um mês de:
- Preocupação persistente sobre ter novas crises, e/ou
- Mudanças de comportamento para evitar situações que poderiam desencadear uma crise — como evitar dirigir, sair de casa sozinho ou frequentar lugares cheios.
Esse segundo ponto é importante: muitas vezes o maior impacto do transtorno do pânico não é a crise em si, mas o quanto a pessoa passa a organizar a vida em função do medo de uma próxima crise.
Quem é mais afetado
O transtorno do pânico afeta cerca de 2 a 3% da população em um período de 12 meses, sendo aproximadamente duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. O início costuma ocorrer no final da adolescência ou início da vida adulta, embora possa surgir em qualquer idade.
Diagnóstico diferencial: por que avaliar com um psiquiatra
Sintomas físicos como palpitações e falta de ar também podem indicar problemas cardíacos, respiratórios ou hormonais (como alterações da tireoide). Por isso, antes de fechar o diagnóstico de transtorno do pânico, é importante uma avaliação clínica cuidadosa que exclua causas médicas e outros transtornos psiquiátricos que podem se manifestar de forma parecida.
Tratamento
O tratamento do transtorno do pânico costuma combinar duas frentes:
- Medicação: antidepressivos (como os ISRS) são a primeira linha para uso contínuo; benzodiazepínicos podem ser usados por período limitado no início do tratamento, com retirada gradual, dado o risco de dependência.
- Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental (TCC), incluindo técnicas de exposição interoceptiva, tem bom nível de evidência para reduzir a frequência das crises e o comportamento de esquiva.
Com tratamento adequado, a grande maioria das pessoas consegue reduzir significativamente as crises e retomar atividades que vinha evitando.
Dr. Marcio Candiani
Psiquiatra
CRMMG 33035 / RQE 10740
Especialista em TDAH e Autismo (Infantil e Adulto)
Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, Santa Efigênia, Belo Horizonte – MG