Resumo rápido: a Escala Abreviada de Conners é um dos questionários mais tradicionais para rastreio de hiperatividade e TDAH em crianças, respondido por pais ou professores. Tem 10 perguntas curtas e leva menos de 3 minutos. Como todo teste de rastreio, indica probabilidade, não fecha diagnóstico — mas ajuda a decidir se vale a pena buscar uma avaliação especializada.
Sou Márcio Candiani, psiquiatra da infância, adolescência e vida adulta em Belo Horizonte, com dedicação especial a TDAH e Autismo. A Escala de Conners é um dos instrumentos mais usados no mundo desde a década de 1970 para rastrear sintomas de hiperatividade em crianças, tanto em casa quanto na escola. Uso a versão abreviada, mais prática para um primeiro rastreio, e sempre em conjunto com outras informações do histórico da criança.
Antes de começar: responda pensando no comportamento da criança nas últimas semanas. Se possível, peça também para um professor ou outro cuidador responder separadamente — a comparação entre diferentes ambientes é parte importante da avaliação de TDAH.
Escala Abreviada de Conners (versão pais/professores)
Para cada item, marque o quanto esse comportamento descreve a criança.
Como interpretar a pontuação
A soma das 10 respostas varia de 0 a 30 pontos. Na versão abreviada de Conners, pontuação total igual ou acima de 15 é tradicionalmente considerada sugestiva de sintomas significativos de hiperatividade/desatenção, e costuma justificar avaliação especializada. Entre 12 e 14, os sintomas estão em uma faixa de atenção — não conclusiva, mas que merece acompanhamento. Abaixo de 12, os sintomas relatados estão dentro do esperado para a faixa etária.
O que fazer depois do teste
Pontuação alta na Escala de Conners não significa, por si só, que a criança tem TDAH — outras condições (ansiedade, dificuldades de aprendizagem, questões do ambiente familiar ou escolar) também podem elevar a pontuação. Por isso, o resultado deste teste funciona melhor como ponto de partida para uma avaliação clínica completa, que cruza a escala com entrevista, histórico do desenvolvimento e, quando possível, relato de mais de um observador (pais e escola).
Se a pontuação chamou atenção, ou se você já desconfia de TDAH há algum tempo, vale marcar uma avaliação especializada em TDAH infantil.
Perguntas frequentes
A Escala de Conners diagnostica TDAH?
Não. É um instrumento de rastreio que ajuda a organizar a intensidade dos sintomas observados por pais ou professores. O diagnóstico de TDAH é sempre clínico, feito por médico.
Qual a diferença entre a Escala de Conners e o SNAP-IV?
Ambas rastreiam sintomas de TDAH em crianças e são preenchidas por pais/professores. O SNAP-IV segue mais de perto os critérios diagnósticos atuais (desatenção e hiperatividade/impulsividade separadamente); a Conners abreviada é mais curta e tradicionalmente usada como triagem inicial rápida. Os dois são complementares, não concorrentes.
Quem deve responder, os pais ou a criança?
Pais, responsáveis ou professores. É uma escala heteroaplicada — não é a criança quem responde.
Vale a pena os pais e a escola responderem separadamente?
Sim, e é recomendado. Sintomas que aparecem em mais de um ambiente (casa e escola) têm mais peso na avaliação de TDAH do que sintomas restritos a um único contexto.
Referências: Conners, C. K. (1973). Rating scales for use in drug studies with children. Psychopharmacology Bulletin. Brito, G. N. O. (1987). Validação da Escala de Conners para uso no Brasil.
Dr. Marcio Candiani
Psiquiatra
CRMMG 33035 / RQE 10740
Especialista em TDAH e Autismo (Infantil e Adulto)
Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, Santa Efigênia, Belo Horizonte, MG