Um dos desafios mais delicados da psicogeriatria é diferenciar demência real de um quadro conhecido como pseudodemência depressiva — quando a depressão no idoso se manifesta com sintomas tão parecidos com os de uma demência que pode enganar até a família mais atenta. Diferenciar os dois é fundamental, porque a depressão tem tratamento com boa resposta.
Como começam os sintomas
Na pseudodemência depressiva, a família costuma conseguir apontar quando as mudanças começaram — o quadro evolui de forma relativamente rápida e perceptível. Já na demência real, a evolução é insidiosa, ao longo de anos.
Como a pessoa reage às próprias falhas de memória
No quadro depressivo, a pessoa se queixa ativamente da própria memória, fica frustrada e, quando testada, tende a responder rapidamente “não sei”. Já na demência real, é comum a pessoa minimizar ou negar as falhas, e preencher lacunas de memória com respostas inventadas (confabulação).
Sintomas que apontam para depressão
Tristeza persistente, desesperança, perda de prazer nas atividades e alterações marcantes de sono e apetite costumam ser o centro do quadro na pseudodemência — as queixas cognitivas aparecem em segundo plano.
Por que a avaliação profissional é indispensável
Os dois quadros podem, inclusive, coexistir na mesma pessoa. A avaliação adequada costuma envolver escalas de humor, avaliação neuropsicológica e, quando indicado, exames complementares. Tratar a depressão corretamente pode reverter boa parte dos sintomas cognitivos que preocupavam a família.
Dr. Marcio Candiani
Psiquiatra
CRMMG 33035 / RQE 10740
Especialista em TDAH e Autismo (Infantil e Adulto)
Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, Santa Efigênia, Belo Horizonte – MG