Toda vez que um médico escreve CID 10 TDAH numa guia de convênio, num laudo ou num atestado, ele está usando um código dentro da Classificação Internacional de Doenças, o sistema que o Brasil adota oficialmente para registrar diagnósticos em prontuários, exames e documentos de saúde. Entender o que esse código significa ajuda a ler com mais clareza um laudo, uma nota de encaminhamento ou o próprio histórico médico.
Um código sozinho não fecha diagnóstico. Isso exige uma avaliação clínica completa.

O que significa CID 10 TDAH na prática
Segundo o DATASUS, órgão do Ministério da Saúde responsável pela tabela oficial da CID-10 no Brasil, o TDAH está classificado dentro do grupo F90-F98, que reúne os transtornos do comportamento e das emoções que costumam aparecer na infância ou na adolescência. O código específico mais usado é o F90.0, chamado de “distúrbio da atividade e da atenção” — o nome técnico dado ao que conhecemos popularmente como TDAH.
Esse código aparece em laudos escolares, relatórios para perícia, receitas de medicamentos controlados e no prontuário do paciente. Ele funciona como uma linguagem comum entre profissionais de saúde, escolas e convênios, permitindo identificar rapidamente do que se trata um encaminhamento ou um pedido de exame, sem depender de uma descrição livre a cada documento.
Na prática, esse código também tem peso burocrático real. Escolas usam o F90.0 para justificar adaptações pedagógicas, convênios exigem o código correto para autorizar consultas e exames com especialista, e a prescrição de medicamentos controlados para TDAH costuma vir acompanhada dele na receita e no relatório médico. Por isso é comum famílias e pacientes perguntarem sobre o código antes mesmo de entender o diagnóstico em si — mas o caminho correto é sempre o oposto: primeiro a avaliação, depois o código.
Os subtipos dentro do código: F90.0, F90.1, F90.8 e F90.9
A categoria F90 se divide em subcategorias que detalham o quadro. O F90.0 é o mais comum e cobre o TDAH “isolado”, sem transtorno de conduta associado. Já o F90.1 é usado quando os sintomas de desatenção e hiperatividade vêm acompanhados de um transtorno de conduta, com comportamento antissocial ou agressivo mais evidente. O F90.8 serve para quadros hipercinéticos que não se encaixam exatamente nas descrições anteriores, e o F90.9 é usado quando o diagnóstico de transtorno hipercinético é claro, mas não há informação suficiente para especificar o subtipo.
Na prática clínica, a escolha do código não é burocrática: ela reflete uma avaliação sobre quais sintomas estão presentes, há quanto tempo e com que intensidade. É por isso que dois laudos com o mesmo diagnóstico de TDAH podem trazer códigos diferentes, dependendo do quadro completo da pessoa.
CID-11 já existe: o que muda para quem tem TDAH
Um detalhe pouco comentado fora dos consultórios: a Organização Mundial da Saúde já substituiu a CID-10 pela CID-11 globalmente desde 2022, e nela o TDAH passou a ser identificado pelo código 6A05, com critérios ligeiramente diferentes. No Brasil, porém, o Ministério da Saúde adiou a adoção oficial da CID-11 nos sistemas de vigilância em saúde para 2027, conforme noticiado pelo Canal Autismo. Isso significa que, hoje, o CID 10 TDAH ainda é o código válido em laudos, atestados e prontuários no país — vale ficar atento a essa transição nos próximos anos.
Se você quer entender como esses critérios se traduzem em sintomas do dia a dia, vale ler também nosso texto sobre sintomas de TDAH em adultos, que detalha como o transtorno aparece fora do papel do laudo.
Por que o CID 10 TDAH importa para o diagnóstico e o tratamento
O código em si não confirma nada sozinho — ele é o resultado de uma avaliação, não o ponto de partida. Um profissional chega ao F90.0, por exemplo, depois de investigar a história de vida da pessoa, os sintomas desde a infância, o impacto no trabalho, nos estudos e nas relações, e depois de descartar outras explicações possíveis para o quadro. Por isso desconfie de qualquer serviço que prometa “o CID” sem uma consulta detalhada por trás.
Se você recebeu um encaminhamento com esse código, ou suspeita que tem TDAH e quer investigar direito, fale pelo WhatsApp (31) 99728-8883 ou pelo telefone (31) 3370-8605 para marcar uma avaliação com o Dr. Márcio Candiani. Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 18h, presencial em Belo Horizonte (Santa Efigênia) ou por telemedicina para todo o Brasil.
Perguntas Frequentes sobre CID do TDAH
Só o código CID já serve como diagnóstico?
Não. O código é um registro do diagnóstico já concluído, não um exame ou teste. Ele só é atribuído depois de uma avaliação clínica completa, feita por um médico habilitado a diagnosticar TDAH.
Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?
O F90.0 descreve o TDAH sem transtorno de conduta associado. O F90.1 é usado quando, além dos sintomas de desatenção e hiperatividade, a pessoa também apresenta um transtorno de conduta, com comportamento mais agressivo ou de desafio a regras.
O código do TDAH vai mudar em breve?
Sim, mas ainda não no Brasil. A CID-11 já existe internacionalmente e identifica o TDAH pelo código 6A05, mas o Ministério da Saúde adiou a implementação oficial no país para 2027. Até lá, o F90 da CID-10 continua sendo o código usado em laudos e prontuários brasileiros.





