Bipolar ou TDah?
TDAH ou Bipolar?
A principal diferença é que o TDAH é uma condição crônica com sintomas persistentes, enquanto o transtorno bipolar se manifesta em episódios distintos e cíclicos de mania/hipomania e depressão. Além disso, o TDAH afeta principalmente a atenção e o comportamento, ao passo que o transtorno bipolar é uma questão do humor.
Os sintomas de TDAH podem ocorrer independentemente do humor, enquanto os sintomas do bipolar são cíclicos e influenciados pelas fases de mania ou depressão.
Duração dos sintomas
TDAH: Os sintomas são contínuos e persistentes ao longo da vida, começando tipicamente na infância.
Transtorno bipolar: Os sintomas são episódicos, com períodos de mania/hipomania e depressão que duram de semanas a meses, e com períodos de eutimia (humor normal) entre eles.
Natureza dos sintomas
TDAH: As dificuldades com atenção, impulsividade e hiperatividade são mais contextuais e situacionais, mas estão presentes de forma crônica.
Transtorno bipolar: As mudanças extremas no humor e na energia, como a mania, são eventos distintos e não uma característica constante do comportamento da pessoa. A hiperatividade do TDAH é mais frequente, enquanto a do bipolar ocorre principalmente durante os episódios maníacos.
Início
TDAH: Geralmente se manifesta na infância.
Transtorno bipolar: É mais comum que os sintomas apareçam na adolescência tardia ou no início da idade adulta.
Tratamento
TDAH: O tratamento geralmente inclui medicamentos estimulantes, além de psicoterapia.
Transtorno bipolar: O tratamento primário envolve estabilizadores de humor e antidepressivos. Medicamentos estimulantes podem piorar os sintomas maníacos
Alguns estudiosos compararam crianças e adolescentes com TDAH e bipolaridade.
Mary Friestad e Colaboradores constataram que crianças com Transtorno bipolar apresentam maior frequência de humor elevado, alta energia, probelmas de pensamentos, fuga de ideias, fala rápida e irritabilidade grave, se comparadas com crianças com TDAH (Transftorno do déficit de atenção e hiperatividade). Não foram percebidas diferenças de desatenção e hiperatividade.
Joseph Biederman e colaboradores perceberam nos bipolares em relação a adolescentes com qualquer transtorno mental maior frequência de probelemas de pensamento, desatenção, ansiedade, depressão, problemas sociais, queixas somáticas (dores de cabeça, dores de barriga), afastamento dos outros, agressão e comportamentos delinquentes.
Em relação às crianças hiperativas, apresentavam mais problemas de pensamento, ansiedade, depressão, agressão e comportamento delinquente.
Barbara Geller percebeu junto com colaboradores maior frequencia de ideias grandiosas e/ou euforia em bipolares, além de pensamentos acelerados e sono diminuido (redução da necessidade de sono).
David Axelson e Boris Birmaher comparando um grande número de pacientes com transtorno bipolar, em relação a outros portadores de outros transtornos mentais, percebeu no grupo de bipolares euforia e um alto nível de energia (sem diferença nos niveis de atençao ou irritabilidade). Nos bipolares deprimidos, havia maior número de pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e sintomas psicóticos do que os outros.
Algumas dicas do autor do livro citado para suspeitar de transtorno bipolar ao invés de TDAH:
- Sintomas de TDAH surgindo mais tardiamente (após 10 anos ou mais)
- Sintomas de TDAH surgem abruptamente numa criança saudável
- Sintomas de TDAH inicialmente responderam aos estimulantes (Metilfenidato) ou antidepressivos (imipramina, fluoxetina, etc) e depois não
- Sintomas de TDAH vêm e vão e tendem a ocorrer com mudanças de humor
- Uma crainça com “TDAH” que começa a ter períodos de entusiasmo excessivo, depressão, falta de necessidade de sono (principalmente se no dia seguinte ela não se sente cansada) comportamentos sexuais inadequados
- Uma criança com TDAH que tem variações de humor graves, explosões de raiva ou crises de fúria.
- Uma criança com TDAH tem alucinações ou delírios
- Uma criança com TDAH tem uma forte história de transtorno bipolar (psicose maníaco depressiva) na família, particularmente se a criança não está respondeno aos tratamentos adequados.