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Ritalina em Crianças: 7 Sinais que os Pais Devem Observar

Infográfico com os 7 sinais de efeitos colaterais da Ritalina em crianças: perda de apetite, dificuldade para dormir, ansiedade ou irritabilidade, tontura ou dor de cabeça, batimentos acelerados, dor de estômago e tristeza ou mudança de humor

Por Dr. Márcio Candiani, Médico Psiquiatra, CRM-MG 33.035 · RQEs 10740, 22415, 27025 | Atualizado em outubro de 2026

Quando uma criança com TDAH usa Ritalina (metilfenidato), os pais devem observar principalmente sete sinais: perda de apetite, dificuldade para dormir, ansiedade ou irritabilidade, tontura ou dor de cabeça, batimentos acelerados, dor de estômago e tristeza ou mudança de humor. Em geral são leves e aparecem no começo do tratamento, mas precisam ser percebidos, anotados e levados ao médico que acompanha a criança.

Este guia é feito para quem vê a criança todos os dias: pais, mães, avós e responsáveis. Aqui o foco é a rotina em casa e na escola, o que anotar e o que perguntar na consulta. Para uma visão geral dos efeitos do medicamento em todas as idades, consulte nosso guia geral sobre os efeitos colaterais da Ritalina.

Infográfico com os 7 sinais de efeitos colaterais da Ritalina em crianças: perda de apetite, dificuldade para dormir, ansiedade ou irritabilidade, tontura ou dor de cabeça, batimentos acelerados, dor de estômago e tristeza ou mudança de humor
Os 7 sinais que os pais mais devem observar em crianças que usam Ritalina. Cada criança reage de um jeito.

Resumo para os pais

  • Observe, anote e leve ao médico: um diário simples torna a consulta muito mais objetiva.
  • Não aumente, reduza nem interrompa a dose por conta própria.
  • Dor no peito, desmaio, convulsão, alucinações ou agitação intensa pedem atendimento imediato (SAMU 192).
  • Apetite, sono, peso e altura devem ser acompanhados de forma regular.

O que esperar nas primeiras semanas

Uma revisão da Cochrane com 212 estudos e mais de 16 mil crianças e adolescentes (3 a 18 anos) com TDAH mostrou que o metilfenidato pode reduzir a hiperatividade e a impulsividade e ajudar na concentração, mas se associa a mais efeitos indesejáveis não graves do que o placebo: cerca de 53 em cada 100 crianças no grupo do medicamento tiveram algum, contra cerca de 41 em cada 100 no grupo controle. A própria revisão pondera que a qualidade das evidências é baixa e que os estudos foram curtos, o que reforça o valor do acompanhamento individual.

Outro ponto importante: segundo a bula, o metilfenidato não deve ser usado em crianças com menos de 6 anos.

Os 7 sinais que os pais devem observar

1. Perda de apetite

É o efeito mais típico: na Cochrane, o risco de diminuição do apetite foi cerca de 3,7 vezes maior que com placebo. O que observar: se a criança come pouco no almoço, se compensa à noite e se está perdendo peso. Anote o que ela comeu ao longo do dia e leve ao médico, que pode orientar horários de refeição e da dose.

2. Dificuldade para dormir

Os problemas de sono foram cerca de 1,6 vez mais frequentes que com placebo. O que observar: a que horas ela adormece, se acorda de madrugada e se o sono ruim aparece nos dias de dose mais tarde. A bula também menciona que, quando o efeito termina cedo, podem surgir problemas para dormir ou o retorno dos sintomas no fim do dia. Esse horário é uma informação valiosa para o médico. Se o sono é uma queixa frequente, veja também nosso artigo sobre transtornos do sono em crianças e adolescentes.

3. Ansiedade ou irritabilidade

Nervosismo, inquietação e irritação estão descritos na bula. O que observar: em que momento do dia aparecem, por exemplo quando o efeito está passando. Ansiedade e TDAH podem coexistir, e conhecer os sinais ajuda a não confundir os quadros: leia ansiedade em crianças: sinais, diagnóstico e tratamento.

4. Tontura ou dor de cabeça

Cefaleia e tontura estão entre as reações descritas e costumam ser leves. O que observar: horário, frequência e se a criança já chegou a ficar pálida ou desmaiar. Desmaio não é queixa para aguardar a próxima consulta.

5. Batimentos acelerados

A bula informa que o metilfenidato aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial. Por isso o médico deve avaliar, antes de iniciar, se há doença cardíaca na criança ou histórico familiar de arritmias ou morte súbita. O que observar: a criança relatar “coração batendo forte”, cansaço fora do comum, dor no peito ou falta de ar, situações em que a conduta é procurar atendimento.

6. Dor de estômago

Dor abdominal e náusea são queixas comuns no início. O que observar: se a dor surge logo após a dose, se a criança tomou em jejum e se melhora com o passar das semanas. O médico pode avaliar a relação com as refeições.

7. Tristeza ou mudança de humor

Humor deprimido transitório está descrito como reação rara. O que observar: criança mais quieta, apática, chorosa ou “sem brilho”, muito diferente do habitual. Esse quadro não é o esperado do tratamento e deve ser conversado com o médico, pois pode indicar dose inadequada ou necessidade de rever o diagnóstico.

Atenção também aos tiques. A bula cita o surgimento ou o agravamento de tiques como reação possível. Piscar, pigarrear ou movimentos repetitivos novos merecem ser relatados, e o histórico familiar de síndrome de Tourette deve ser informado ao médico antes do início do tratamento.

Sinais que não podem esperar

Procure um pronto atendimento ou ligue para o SAMU (192), informando que a criança usa metilfenidato, se houver dor no peito, falta de ar, desmaio, convulsão, urticária generalizada ou inchaço no rosto, alucinações, confusão, agitação intensa ou qualquer fala sobre querer morrer ou se machucar. Neste último caso, também há o CVV, no 188, 24 horas. Para a lista completa de sinais de alerta e a explicação de cada um, veja o artigo sobre sinais comuns e raros e quando procurar atendimento psiquiátrico.

Como montar um diário de observação

Um caderno ou um bloco de notas no celular já resolve. Registre, por pelo menos duas semanas:

  • Dia, horário da dose e se foi antes ou depois do café da manhã.
  • Apetite em cada refeição e peso, quando o médico pedir.
  • Horário em que adormeceu e despertares noturnos.
  • Humor ao longo do dia, principalmente no fim da tarde.
  • Queixas físicas: dor de cabeça, de barriga, tontura, palpitações.
  • Tiques ou comportamentos novos.
  • Relato da escola sobre atenção e comportamento.

A escola faz parte do acompanhamento

Nos estudos sobre o metilfenidato, as avaliações dos professores são uma das principais formas de medir o efeito do tratamento, o que mostra como a visão da escola é útil. Combine com a coordenação um canal de conversa para saber se a criança está mais sonolenta, agitada, triste ou sem lanchar no recreio. Veja também nosso conteúdo sobre escolas inclusivas em BH e o suporte para crianças com TEA e TDAH.

O que perguntar na consulta

  1. Esses sinais são esperados para essa dose e formulação?
  2. Em que horário devo dar o medicamento e como organizar as refeições?
  3. Com que frequência devemos medir peso e altura?
  4. Quais sintomas exigem contato imediato ou ida ao pronto-socorro?
  5. O que fazer se a criança esquecer uma dose?
  6. Quando o tratamento será reavaliado?

Dica: confira a bula da Ritalina explicada antes da consulta e leve as dúvidas anotadas. As regras de prescrição estão em Ritalina precisa de receita?.

Quando buscar uma avaliação psiquiátrica infantil

Se os sinais persistem, pioram, atrapalham a rotina da criança ou levantam dúvidas sobre o diagnóstico, a avaliação com um psiquiatra da infância e adolescência ajuda a rever o plano de tratamento. O Dr. Márcio Candiani atende presencialmente na Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, e por consulta psiquiátrica online para todo o Brasil. Conheça a página de psiquiatra infantil em Belo Horizonte, o conteúdo sobre diagnóstico de TDAH infantil e as informações sobre tratamento medicamentoso para crianças.

Agendamento: telefone (31) 3370-8605, WhatsApp (31) 99728-8883 ou pela página de contato.

Leia também

Perguntas frequentes sobre Ritalina em crianças

A Ritalina pode ser usada em crianças menores de 6 anos?

Segundo a bula, o metilfenidato não deve ser usado em crianças com menos de 6 anos. Qualquer dúvida sobre TDAH nessa faixa etária deve ser avaliada por um especialista.

É normal a criança perder o apetite com Ritalina?

A diminuição do apetite é um dos efeitos mais frequentes. Mesmo assim, é importante acompanhar o peso e a alimentação e conversar com o médico, que pode orientar horários de refeição e da dose.

Minha filha não consegue dormir com Ritalina. O que fazer?

Anote o horário da dose e o horário em que ela adormece e leve essas informações ao médico. Ajustes de horário ou de formulação são decisões médicas e não devem ser feitos por conta própria.

A Ritalina muda a personalidade ou deixa a criança apática?

Apatia, tristeza ou um jeito muito diferente do habitual não são o objetivo do tratamento. Podem indicar dose inadequada ou necessidade de reavaliação, por isso devem ser informados ao médico.

A Ritalina atrapalha o crescimento da criança?

A bula descreve redução moderada do ganho de peso e leve atraso de crescimento com o uso prolongado em crianças. Por isso peso e altura devem ser acompanhados regularmente.

Quando levar a criança ao pronto-socorro?

Em caso de dor no peito, falta de ar, desmaio, convulsão, reação alérgica grave, alucinações, confusão, agitação intensa ou fala sobre querer se machucar. Ligue para o SAMU (192) e informe que ela usa metilfenidato.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Não inicie, ajuste ou suspenda medicamentos sem orientação profissional.

Fontes e referências

Precisa de uma avaliacao especializada ou uma segunda opiniao medica?

O Dr. Marcio Candiani realiza consultas estritamente particulares presenciais em Belo Horizonte (no bairro Santa Efigenia) ou via Telemedicina para todo o Brasil. Voce pode consultar as condicoes de atendimento e agendar diretamente com nossa equipe pelo WhatsApp.