Resumo rápido: o ASRS-v1.1 (Adult ADHD Self-Report Scale) é o questionário de triagem para TDAH em adultos mais usado no mundo, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde em parceria com pesquisadores de Harvard. Tem 18 perguntas divididas em duas partes: a Parte A (6 perguntas) é a que tem valor de triagem validado, a Parte B (12 perguntas) complementa o quadro de sintomas. Como toda escala de autorrelato, não fecha diagnóstico sozinha.
Sou Márcio Candiani, psiquiatra da infância, adolescência e vida adulta em Belo Horizonte, com atuação em TDAH e Autismo. O ASRS-v1.1 é a escala que mais uso no consultório para uma primeira triagem de TDAH em adultos, porque foi desenhada e validada exatamente para isso, ao contrário de listas de sintomas genéricas que circulam por aí. Se você quiser entender melhor como funciona o processo de diagnóstico completo, escrevi sobre isso em Teste de TDAH em Belo Horizonte: Diagnóstico Adulto e Infantil. Aqui o foco é o questionário em si, pronto para responder agora.
Antes de começar: nenhum questionário online substitui uma avaliação clínica. O ASRS-v1.1 indica se vale a pena investigar mais a fundo, não confirma nem descarta TDAH sozinho. Responda pensando em como você tem sido nos últimos seis meses, não apenas hoje.
Por que a Parte A é a que importa
Das 18 perguntas do ASRS-v1.1, as 6 primeiras (Parte A) foram selecionadas pela Organização Mundial da Saúde por serem as mais fortemente associadas ao diagnóstico de TDAH em adultos, entre um conjunto maior de sintomas testado em estudos de validação. É por isso que, na prática clínica, a Parte A funciona como o instrumento de triagem propriamente dito, com um ponto de corte estabelecido. A Parte B soma mais 12 perguntas que ajudam a completar o perfil de sintomas, mas não tem um ponto de corte próprio: ela é lida em conjunto com a história clínica, não isoladamente.
Parte A: triagem (6 perguntas)
Para cada pergunta, pense em como você tem sido nos últimos seis meses e marque a frequência que mais se aproxima da sua realidade.
Como interpretar a Parte A
Cada uma das 6 perguntas tem um limiar de frequência próprio, definido nos estudos de validação do instrumento: nas perguntas 1 e 2, respostas “Às vezes” ou mais frequentes já contam como sinal relevante; nas perguntas 3 a 6, o limiar é “Frequentemente” ou mais. Se pelo menos 4 das 6 perguntas atingem esse limiar, o resultado é consistente com sintomas de TDAH que merecem investigação clínica mais aprofundada. Menos de 4 não descarta TDAH, principalmente em quadros mais discretos ou em pessoas que desenvolveram estratégias de compensação ao longo da vida.
Parte B: perfil complementar de sintomas
As 12 perguntas seguintes não têm ponto de corte próprio no ASRS-v1.1, mas ajudam a completar o quadro: elas cobrem sintomas de desatenção, impulsividade e inquietação que também aparecem no TDAH adulto, e costumam ser úteis na conversa com o psiquiatra, principalmente para diferenciar TDAH de outras causas de desatenção, como ansiedade, insônia ou sobrecarga.
Parte B: perfil complementar (12 perguntas)
Mesma lógica da Parte A: pense nos últimos seis meses e marque a frequência mais próxima da sua realidade.
O que fazer depois do teste
Se a Parte A deu positiva (4 ou mais respostas no limiar), ou se você tem dúvidas mesmo com um resultado abaixo disso, o próximo passo é uma avaliação psiquiátrica completa: história de vida, boletins escolares antigos quando disponíveis, relato de terceiros e, se necessário, testes neuropsicológicos. O ASRS-v1.1 é o ponto de partida dessa conversa, não o fim dela.
Se o resultado da Parte A chamou sua atenção, ou se sintomas de desatenção e inquietação já atrapalham sua vida há anos, vale marcar uma avaliação.
Perguntas frequentes
O ASRS-v1.1 diagnostica TDAH?
Não. É uma escala de triagem. A Parte A tem um ponto de corte validado que indica se vale a pena investigar mais, mas o diagnóstico de TDAH exige avaliação clínica completa com um psiquiatra.
Por que só a Parte A tem ponto de corte?
Nos estudos que validaram o instrumento, as 6 perguntas da Parte A foram as que melhor discriminaram pessoas com e sem TDAH. A Parte B soma informação, mas não tem esse mesmo poder discriminativo isoladamente.
Posso ter TDAH mesmo com pontuação baixa na Parte A?
Sim. O instrumento tem boa sensibilidade, mas não é perfeito, e sintomas mais discretos ou bem compensados podem passar despercebidos numa triagem rápida. Se você ainda desconfia, vale conversar com um psiquiatra.
TDAH em adultos é a mesma coisa que em crianças?
Os sintomas mudam de cara: a hiperatividade motora da infância costuma virar inquietação interna e impulsividade no adulto, enquanto a desatenção tende a persistir e a atrapalhar trabalho, finanças e relacionamentos.
Referências: Kessler, R. C. et al. (2005). The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population. Psychological Medicine. Organização Mundial da Saúde, ASRS-v1.1 Symptom Checklist.
Dr. Marcio Candiani
Psiquiatra
CRMMG 33035 / RQE 10740
Especialista em TDAH e Autismo (Infantil e Adulto)
Rua Rio Grande do Norte, 23, sala 1001, Santa Efigênia, Belo Horizonte, MG